Toda a noiteeeeee, toda a noiteeeeee



Os festivais são uma tradição moderna que se expandiu como uma floresta de eucaliptos de Vila Real a Vila Real de Santo António e ilhas. E antes o que havia? A Festa do Avante, um dos picos de calor do final de verão no pós-25 de abril, já movia milhares de pessoas atrás de ideais e cartazes internacionais. Mas já antes, matava-se o tempo lento com os habituais bailes de verão, tão populares em vilas e aldeias do “país real”.

Pode haver quem negue, socorrendo-se da falta de provas como fotos ou vídeos, mas haverá alguém que nunca tenha feito um comboio? Lá vai ele a apitar, lá vai, lá vai. As festas populares fazem parte do kit de verão e atraem uma série de outros rituais típicos da estação. Por um lado, o regresso de emigrantes a Portugal, por outro o regresso das famílias aos seus locais de origem, quase sempre deixados para trás em busca de melhores oportunidades de trabalho e pelos estudos.

De volta às raízes, as romarias costumam ser ponto inevitável de reencontro entre velhos conhecidos, amigos e família. Bem regado com álcool, comida e algum picante maroto. Há sempre quem rejeite estas reuniōes, mas sobretudo há  quem viva um ano com saudades de julho e agosto.. Bailes de verão querem dizer confiança nas figuras tristes, e apagar o ficheiro na segunda-feira seguinte. Só que na vida, como na Internet, a história não pode ser apagada, e há sempre aquele amigo que irá para sempre guardar aquele momento de vergonha alheia e recordá-lo daí para a frente.

Nada a fazer, é lidar e encarar com amizade e copo cheio. De problemas já está o ano cheio. E esta é a época do intervalo do jogo. Do Alentejo a Trás-os-Montes, passando pelas beiras, talvez seja no interior que estas festas têm uma expressão maior, pela ruralidade, e pela menor oferta cultural, apesar da crescente oferta de programações, nas zonas mais distantes dos grandes centros.

São dias de sardinha, fartura e vinho verde, com música popular capaz de converter até os mais agnósticos. Meu Querido Mês de Agosto, define o clássico do malogrado Dino Meira. E expōe também o filme homónimo de Miguel Gomes, numa demonstração clara de respeito e carinho por estas manifestações típicas. Tantas vezes abandonado, subestimado e observado à distância com superioridade, há um Portugal profundo em processo de revisitação e credibilização que tem nestas festas uma das suas congregações. Está aberta a temporada do “às 8 no coreto”.

Não há comentários

Comentários estão fechados