Sala Principal #2: Capitólio – Uma sala a dois tempos



Sala Principal #2: Capitólio – Uma sala a dois tempos

 

Quando este Capitólio é invadido, é por bons motivos. Pessoas ávidas de agitação, movimento e inquietude, tratem-se de concertos, stand-up ou outras tipologias de espectáculo. Lugar com história, vive uma segunda vida desde que, há cinco anos, a Sons em Trânsito venceu o concurso público de exploração da sala contígua à Avenida da Liberdade. De então para cá, a programação devolveu aconteceu a uma zona que durante anos se cingiu ao teatro de Revista no Parque Mayer.

Bem antes do 25 de abril, a partir dos anos 30, e até à década de 80, o Capitólio foi uma referência, atravessando épocas, estilos e personagens. Espaço de diversidade, tanto recebia o popular teatro de revista, como a comédia, concertos de jazz e de fado, as operetas e o circo. Tanta variedade estimulava a visita de público de diferentes extractos sociais. Figuras marcantes como Raul Solnado, agora patrono do renovado cineteatro, José Viana, Beatriz Costa, Ivone Silva e Henriqueta Maia tiveram no Capitólio uma segunda casa.

Após o 25 de Abril, o Capitólio foi notícia por, durante várias semanas, ter apresentado, com cinco ou seis sessões diárias, quase sempre esgotadas, o mítico filme pornográfico “Garganta Funda”, realizado por Gerard Damiano e protagonizado por Linda Lovelace. A partir daí, as sessōes de cinema erótico normalizaram-se e afirmaram uma mudança de rumo. No princípio dos anos 80, o ringue de patinagem no último piso foi utilizado como discoteca – chamava-se então Roller Magic. Para além da programação, foi reconhecido “internacionalmente pela sua relevância arquitetónica, assumindo-se como símbolo da arquitetura modernista na cidade de Lisboa e sendo classificado como Imóvel de Interesse Público desde 1983”, pode ler-se no site.

Trinta anos após o seu encerramento, o Capitólio voltou com propostas multidisciplinares, incluindo eventos privados de empresas e inúmeras gravaçōes televisivas. Depois de profundas obras de reabilitação, da autoria do arquitecto Alberto de Souza Oliveira, reabriu em novembro de 2016 com capacidade para 400 lugares sentados e, quando a plateia é recolhida, pode receber cerca de 1 500 espectadores em pé. Recebeu o Prémio Valmor e Municipal de Arquitectura nesse mesmo ano.

 

Esta semana, Angel Olsen bisa no Capitólio com dois concertos (hoje e amanhã). Na quinta-feira (dia 29), é a vez de Chico César e na sexta Max Cooper apresenta o seu espectáculo audiovisual.

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