Black Flag – Dizer não de vez



Dizer não de vez

 

Parece impossível, mas os Black Flag nunca vieram a Portugal em 46 anos de existência interrupta. A estreia está marcada para 5 de fevereiro do próximo ano no Hard Club, no Porto. É verdade que da formação que gravou o histórico Damaged (1981), já com Henry Rollins na voz, resta apenas o guitarrista e patrono Greg Ginn. Acompanham-no Mike Vallely na voz, Joseph Noval no baixo e Isaias Gil na bateria, mas são os Black Flag pela primeira vez em Portugal. Não é apenas um concerto, é um acontecimento.

A história do punk é frequentemente associada ao Reino Unido, e particularmente a Londres, mas o papel dos EUA foi imprescindível. É aqui que entram os Black Flag, pioneiros na disciplina do punk-hardcore, e porta-vozes do inconformismo em cançōes sobre o isolamento social, a pobreza, a marginalização e a paranóia. Antes de Kurt Cobain, muito antes de uma pandemia trazer à tona alguma desta psicanálise. Próximos dos Ramones na linguagem objectiva, somavam frequentes mudanças de tempo que fizeram escola quer no hardcore, quer no pós-hardore. Os Black Flag acrescentaram complexidade à matemática económica do punk, introduzindo inesperados elementos de free-jazz, sobretudo na guitarra de Ginn, o sobrevivente. E como não poderia deixar de ser, defenderam a ética faça-você-mesmo ao limite.

Henry Rollins não fez parte da formação inicial tendo apenas entrado em 1981 mas transformou-se no símbolo do grupo. Inicialmente um fã, entrou para a banda depois de ter pedido para participar numa canção durante um concerto em Nova Iorque. Foi o vocalista de maior duração dos Black Flag e o mais marcante. Quer pela sua imagem musculada, quer pelo sentido de humor, nem sempre comum entre problemáticas sociais. Era o porta-voz do grupo, embora Ginn continuasse a ser, na prática, o líder.

As tensōes internas dissolveram os Black Flag em 1986. Terminava assim a etapa decisiva do grupo, mas a história não acaba aqui. Em 2003, reuniram-se para três concertos de apoio a associaçōes de protecção de gatos (uma das paixōes de Ginn). Depois de alguns encontros esporádicos, a reunião oficial foi anunciada em 2013. Com o vocalista Ron Reyes, que gravara o EP Jealous Again, de 1980, antes de Henry Rollins tomar conta das operaçōes. Porém, o reencontro foi curto. Reyes foi despedido pelo skater profissional e manager Mike Vallely, que ficou com o posto. Será dele o megafone no Porto. O que seria de uma banda punk sem turbulência interna?

 

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