Mitos e algumas verdades: a nova geração de fãs de música

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Mitos e algumas verdades: a nova geração de fãs de música

 

Só se ouvem 10 segundos de uma música?

Talvez sim, talvez não. O imediatismo prolifera e os tempos de atenção são mais curtos mas isso não implica que a devoção tenha morrido. Pelo contrário, talvez existam mais fãs dedicados – por vezes, até demais, como os Swifties, que chegam a perseguir críticos musicais – a viver dentro da música. O single é sagrado, e a sua fragmentação por plataformas incontornável, mas não é por acaso que, quando sai um álbum de um nome cimeiro da pop, como Taylor Swift, Justin Bieber ou Bad Bunny, os tops de singles são invadidos não apenas por uma mas por várias canções. Por outro lado, o fenómeno do funk_br alimenta-se bastante da média de dois minutos, e da regeneração constante do algoritmo.

 

Os formatos físicos morreram?

A morte do disco físico, e do álbum enquanto longa-duração, foi manifestamente exagerada. De há dez anos para cá, o vinil não pára de crescer, e, com a subida dos preços deste, até o CD começa a ser reciclado. E há o merchandising, uma fonte vital de receita, principalmente dos nomes independentes que vivem do compromisso sólido com o seu público. No verão passado, o “equipamento” cor-de-rosa dos Fontaines D.C. era uma peça recorrente não só em festivais como nas ruas. Quando os fãs gostam, querem ter os objectos para sentir que os artistas são parte das suas vidas.

 

Toda a música é mediada por ecrãs?

De todo. Os fãs e público em geral querem viver a música humanamente, e apesar de o digital ser a forma comum de consumo, os concertos e festivais têm um peso emocional enorme, e continuam a servir de plataforma diferenciadora e até de descoberta. Um espectaculo memorável continua a ser uma experiência insubstituível.

 

Os géneros musicais ainda nos definem?

Menos do que no passado. A música pop sempre ruminou subgéneros e culturas, mas a grande diferença para outras épocas, é a sua expansão geográfica para o mundo latino, Brasil, África (afro-pop e amapiano) e Coreia (k-pop). As fronteiras entre géneros dissolveram-se, também porque os consumos de música se liberalizaram. No entanto, surgiram novas formas de organização da informação, como as playlists, geralmente vocacionadas para a funcionalidade (música para ouvir no trabalho, para cozinhar, para adormecer ou mesmo conhecer as novidades) ou indutoras de emoções. Em extremidades, como o metal, o rap mais tradicional ou o techno, vestir a camisola do género ainda importa para definir um lugar social de pertença.

 

A nostalgia é falta de esperança no futuro?

Provavelmente. A nostalgia sempre existiu, mas enquanto noutras eras se repescavam períodos específicos, agora o passado parece funcionar como salvação da crise política profunda e do retrocesso civilizacional. Há também lógicas de mercado associadas. Tudo o que é familiar e reconhecido é mais fácil de vender. A novidade perdeu a atracção de outrora, também por excesso de informação para digerir. A vida dos novos artistas está mais dificultada.

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