A luta contínua

25 abril

A luta contínua

 

O 25 de abril só acontece uma vez por ano, mas faz-se todos os dias. A luta continua e é contínua. Ficaram conhecidos por “cantores da Revolução” vozes e visionários musicais como José Afonso, José Mário Branco e Sérgio Godinho que, através das suas canções de protesto, ajudaram a libertar Portugal de uma camisa de forças.

 

52 anos de liberdade depois, as trevas pairam mas ainda não batemos no fundo. Há quem através da coragem, se socorra do espaço criativo para denunciar injustiças, desigualdades, intolerâncias e preconceitos. No 25 de abril de 2026, a cantiga ainda é um instrumento essencial de denúncia.

 

A Garota Não

Herdeira evidente e assumida do cancioneiro clássico de combate, opera a partir do infinito particular de Setúbal para sublimar as dores colectivas de um país adiado. Depois de 2 de abril e Ferry Gold, no espectáculo A Vulgar Mulher Extraordinária entrega-se à história da mãe para expor as dores e contracções das mulheres invisíveis.

 

Concertos a 24 de abril em Odemira, 25 em Leiria e 26 no Palácio Baldaya em Lisboa

 

Capicua

O rap de Capicua transcende uma comunidade nem sempre seduzida por discursos políticos, e sobretudo ainda pouco maturada para aceitar uma mulher de 40 anos sem medo dos seus pesos. Em Um Gelado Antes do Fim do Mundo, Ana Fernandes ataca os problemas, mas também a falta de soluções e a encenação colectiva que com a verdade nos engana todos os dias.

 

Concerto em Almada no 24 de abril

 

Mão Morta

A política sempre esteve presente na visceralidade animal dos Mão Morta, como por exemplo em Há já Muito Tempo que Nesta Latrina o Ar Se Tornou Irrespirável (1998) e Pelo Meu Relógio São Horas de Matar (2014) mas nunca como em Viva la Muerte! (2025), os bracarenses dispararam de forma tão contundente sobre o fascismo inimigo. Com poesia, distorção e um coro operático.

 

Xullaji

A Revolução Não Vai ser um Tweet, vocifera Xullaji, conhecido do rap como Chullage, em pele interplanetária, afro-vanguardista, inspirado por Sun Ra, pela história musical de Cabo Verde, dos Tubarões a Bonga e Princezito, e naturalmente, pelas ruas da Arrentela, onde vive e trabalha numa associação com fortes ligações à comunidade local. Não há ninguém como ele a cruzar a cultura do hip-hop, descolonização e futurismo.

 

Vaiapraia

A descrença no futuro convida a voltar atrás, ao punk lubrificado pelo esvaziamento social e dos bolsos, como na Londres de 77, mas os Vaiapraia não são apenas uma retrovisão. Existem aqui e agora, conduzidos pelo espírito livre do vocalista Rodrigo e de uma banda congregadora de desconforto, energia e ética. Que é tudo o que punk precisa para arder como fogueira.

 

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