Concertos com História #19: Pink Floyd em Alvalade 1994

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Concertos com História #19: Pink Floyd em Alvalade 1994

 

22 e 23 julho de 1994. Estádio de Alvalade. O relvado descansa após uma temporada empolgante da equipa da casa, frustrada pelo 6-3 do Benfica e de uma noite empolgante de João Vieira Pinto no relvado que seis anos depois, haveria de ser o seu.

 

Para a geração nascida antes do 25 de abril, os Pink Floyd são provavelmente a maior banda de rock viva. Falam sobre e para a classe operária, com o aparato das grandes produçōes da equipa. Envergam hinos como Another Brick In The Wall, Wish You Wew Here e Money que casam épocas, classes e perspectivas e, por isso, agregam em vez de dividir. Falta-lhes no entanto, uma peça: Roger Waters deixou o grupo em 1985, devido a divergências criativas e conflitos legais. Dito de outra maneira: choque de egos com David Gilmour. Antes do álbum Momentary Lapse of Reason, de 87, afirma peremptoriamente que os “Pink Floyd estão mortos”. Não existem sem ele.

 

The Division Bell é o senhor que se segue. Gilmour e o teclista Richard Wright assinam as cançōes. Nick Mason mantém-se na bateria. O trio vem a Lisboa para duas noites esgotadas. Para montar a primeira digressão da banda em sete anos, são necessárias cerca de 200 pessoas. Arcos e torres de metal com sete toneladas de peso seguram o palco. Cada dia na estrada custa cerca de meio milhão de dólares. Uma super-produção à altura de uma banda que já se tornou uma instituição e que segue a linha iniciada com o conceptual The Wall, de 1978.

 

Os Pink Floyd já não falam para adolescentes mas continuam a inspirar: a visão total dos U2 na Zoo TV deve-lhes bastante assim como a David Bowie e Peter Gabriel. Após uma extensa manga americana, Lisboa é o ponto de partida para a digressão europeia. Ao longo das duas noites, Alvalade recebe 85 mil espectadores para ver projeções e lasers e ouvir os clássicos prometidos, além de Shine On You Crazy Diamond” e Comfortably Numb. Está lá tudo: os refrōes eufóricos, as atmosferas anestesiantes, os solos intermináveis de David Gilmour e os silêncios monásticos.

 

O público delira, a crítica nem tanto. No Público, Fernando Magalhães é letal no título: “confortavelmente entorpecidos”. Os puristas não lhes perdoam a saída de Roger Waters e sobretudo a ruptura com a alma psicadelista de The Piper at the Gates of Dawn, ainda com Syd Barrett. Há-de ser a última digressão dos Pink Floyd, antes de um reencontro de 18 minutos no Live 8, em 2005, que reúne Roger Waters e a banda pela primeira vez em palco desde 1980.

 

Feitas as contas, a Division Bell Tour torna-se a digressão mais rentável de sempre com um retorno na ordem dos 150 milhōes de euros. A Wolkswagen patrocina e lançar uma edição comemorativa do Golf, o carro mais vendido do ano. No ano seguinte, Gilmour anuncia ter doado o dinheiro do apoio para caridade e demarca-se da ligação à marca.

 

O espectáculo está documentado no filme-concerto Pulse, do ano seguinte.

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