A bastonada da música

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A bastonada da música

 

Ana Moura, B Fachada, Carolina Deslandes, Capicua, Dino D’Santiago, Tim, Samuel Úria, Valete, Xullaji, Vitorino, Nenny, Expresso Transatlântico, Pedro Mafama, Marisa Liz, Criatura e a Orquestra da Acampada, formada espontaneamente a partir de um grupo de Whatsapp por músicos renomados como Máximo Francisco, profissionais e amadores, como Diogo Faro.

Em Lisboa e no Porto, a música juntou-se ao protesto pelo direito à habitação e não só ajudou a amplificar a causa e a credibilizá-la como a apaziguou. À suposta desordem e importação das acções violentas de Paris, que ninguém observou no Rossio e na Praça de D. João I no Porto, a resposta foi uma mobilização incomum do sector da música, vindo de diferentes famílias: da pop ao fado, do rock, ao hip-hop à música de protesto.

Desde os grandes encontros da música portuguesa de 1994 em Alvalade, no Portugal ao Vivo e nos Filhos da Madrugada, um tributo a José Afonso – que não se assistia a uma união tão altruísta dos artistas – neste caso, sem interesses comerciais -, em que se convocou o cancioneiro actual da música portuguesa e resgatou alguns dos grandes hinos do 25 de abril como O que faz falta, Coro da Primavera, Venham mais Cinco e Eles comem tudo, de José Afonso, Liberdade de Sérgio Godinho, Eu vi este povo lutar de José Mário Branco e a incontornável Casinha dos Xutos & Pontapés.

A ligação entre o cantar e o povo reenvia-nos também para as assembleias populares do pós-25 de abril quando as “digressões nacionais” de cantores como José Afonso, Sérgio Godinho e José Mário Branco aconteciam em palcos improvisados onde as pessoas se juntavam para debater ideias. E a música cumpria o seu papel interventivo.

 

40 anos depois, um exemplo de elevação da voz dentro do exemplo ordeiro dos manifestantes.

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