A importância de uma boa primeira parte
Frequentemente desvalorizadas ou subtraídas do bilhete, as primeiras partes podem ser a diferença entre uma noite de glória ou fracasso. E não é por acaso que os cabeças de cartaz, em sala, estádio ou clube são tão cuidadosos na escolha da companhia.
Uma boa abertura aquece o público e prepara o terreno para o nome maior, sem lhe retirar protagonismo. A não ser que o vocalista se chame Mike Patton e este incite o público a atirar garrafas, como sucedeu no célebre concerto de Alvalade em que Axl Rose amuou depois de cair no palco humidificado pelos Faith No More antes dos Guns N’Roses.
Uma recepção positiva pode provocar um efeito-surpresa no público que muitas vezes só conhece os actores principais. Ou, no mínimo, contrariar uma certa frieza com que os jovens lobos se, de facto for uma questão de despontar para a vida, são votados. Bandas como U2 ou Radiohead habituaram os seus fiéis a uma curadoria atenta e rigorosa, como Rage Against The Machine, Placebo, Interpol ou Kaiser Chiefs, no caso dos irlandeses; Sigur Rós, The Beta Band, Kid Koala, Four Tet, Supergrass e Björk nos segundos.
Os próprios U2 chegaram a fazer primeiras partes de Echo & The Bunnymen e Thin Lizzy ainda na década de 80. Ed Sheeran abriu para os Snow Patrol na rampa para o estrelato; Taylor Swift, imagine-se, para alguns dos grandes do country como Rascal Flatts, George Strait, Brad Paisley, e Tim McGraw/Faith Hill, em 2006/7. E Kendrick Lamar que foi escolhido para aquecer as noites da digressão de Yeezus de Kanye West? Alegadamente, os dois raramente contactaram mutuamente, mas essas 23 noites foram decisivas para o primeiro se transformar no rapper maior da sua geração.
Comments are closed.