2023 em doze andamentos



2023 em doze andamentos

 

O mercúrio pode ser retrógrado mas os ponteiros não param. 2023 já é chão firme e, além dos festivais e acontecimentos habituais na agenda, o calendário começa a compor-se e a pedir licença à carteira. Há muito para escolher e ver. Nós ajudamos.

 

  1. Roger Waters. 18 de março. Altice Arena

Em 2022, os festivais voltaram em força. 2023 é o ano do regresso das superproduçōes. Neste caso, uma nova digressão de um velho conhecido. Roger Water já conhece bem a Altice Arena mas a novidade é a This Is Not a Drill Tour, anunciada como uma “extravagância rock’n’roll”, “visual e sonora”, e, acrescentamos, politizada. Os grandes clássicos é que não mudam, de “Us & Them” a “Comfortably Numb”ou “Wish You Were Here”.

 

  1. D’ZRT. 29 de abril a 2 de maio. Altice Arena

Primeiro foram os Ornatos Violeta. Depois os Da Weasel. Com estrondo. E a moda das reuniōes chegou à música portuguesa. 2023 traz regressos de D’ZRT, Excesso e Entre Aspas. Das quatro sessōes marcadas para a Altice Arena, apenas a derradeira, de 2 de Maio, ainda tem bilhetes disponíveis. Sinal de que a geração Morangos com Açúcar atingiu a maioridade. Quem sabe se não tentou recuperar o acesso ao Hi5?

 

  1. 17 a 21 de maio. Estádio Cidade de Coimbra

Um caso de estudo, ou pelo menos de análise extensiva, quando, no ano passado, os Coldplay esgotaram quatro estádios de Coimbra como quem vende raspadinhas. Serão os fãs? Também, mas é mais do que isso. Será o regresso aos palcos, depois de terem prometido não voltar a fazer digressōes dispendiosas para o ambiente? Provavelmente, mas não explica tudo. Se juntarmos a isto, a fome de grandes acontecimentos, o desejo de estar,  partilhar e amplificar, talvez tenhamos a resposta para este fenómeno.

 

  1. Chico Buarque. 26 e 27 de maio na Super Bock Arena. 1 e 2 de junho no Campo Pequeno

Clássicos são clássicos e vice-versa, dizia um conterrâneo de Chico Buarque, dotado de outras mágica.. Buarque e Mário Jardel têm em comum a música e a política, mas um envelheceu como mestre. O outro teve o mandato de deputado estadual suspenso. O motivo do enésimo e saboroso regresso a Portugal é a digressão “Que tal um samba?”, apresentada por uma esperançosa canção com o mesmo nome, apesar da promessa revisionista do alinhamento. E as eleiçōes recentes devolveram mesmo a dignidade ao Brasil, ou será excesso de optimismo? Boa pergunta para lhe fazer.

 

  1. Primavera Sound. 7 a 10 de junho. Parque da Cidade de Matosinhos

Do festival que anuncia o alinhamento de um jorro, sabemos sempre com o que contamos. Mescla de últimos gritos e ecos do passado presente, o Primavera Sound 2023 distingue-se pelos nomes grandes, como Kendrick Lamar, Rosalia e Blur, assim como por segundas linhas de peso como FKA Twigs ou os Pet Shop Boys. Quanto vale uma aposta em como vai esgotar?

 

  1. Evil Live. 28 e 29 de junho. Altice Arena

Do Sónar ao Kalorama, Rolling Loud ou Afro Nation, os últimos anos têm sido pródigos em novos festivais. E, tal como acontece com a electrónica, e começa também a ficar claro com o hip-hop, há tribos fiéis que talvez prefiram evitar misturas. Os festivais de metal conjugam-se no plural e arrastam massas invisíveis na agenda diária. Mas eles existem e justificam o investimento em cartazes como o do debutante Evil Live: Slipknot, Pantera, Meshuggah e Alter Bridge dão garantias de abalo. Dois dias antes, a 26 de junho, há Rammstein no Estádio da Luz.

 

  1. Rolling Loud. 5 a 7 de julho. Praia da Rocha em Portimão

Por falar em tribos, durante anos a oferta de concertos de hip-hop internacionais foi residual. Hoje, o cenário é bem diferente e deve-se a um factor: números. É verdade que há promotores e festivais ainda desconfiados do público de hip-hop, mas o caixote do lixo de uns é a reciclagem de outros. O Rolling Loud viajou dos EUA e aterrou pela primeira vez fora dos EUA na Praia da Rocha. Resultado: bilhetes esgotados. Para 2023, tem um trunfo de peso. Quem não gostaria de contar com Travis Scott? É que nem as polémicas suspenderam o voo de La Flame.

 

  1. NOS Alive. 6 a 8 de julho. Passeio Marítimo de Algés

Aos 16 anos, o Alive está a chegar à idade adulta, e já é um clássico de verão, assim como uma referência no GPS internacional de festivais. Este ano, regressa a uma receita eficaz de apostar em bandas rock instituídas como Red Hot Chili Peppers, Arctic Monkeys, Black Keys e Queens of the Stone Age, salpicando com a pop actual de Sam Smith e Lizzo, e alguns marginais aclamados, como os Idles e Angel Olsen, o português Branko e o rapper espanhol Morad. Algés já está no pensamento de muita gente.

 

  1. MEO Marés Vivas. 14 a 16 de julho. Antigo Parque de Campismo de Madalena em Vila de Nova de Gaia

Depois de terem consumado o maior regresso da história da música portuguesa no ano passado, os Da Weasel viajam até Gaia para reencontrar o público nortenho. São o nome grande do festival – uma raridade para uma banda portuguesa – mas não está sós. J de Balvin, J de Slow, contemporâneo das doninhas, também ele de volta depois de três anos sem palcos. E ainda há The Script, Jorge Palma, Quatro e Meia, Fernando Daniel e Azeitonas para lotar o recinto.

 

  1. Harry Styles. 18 de julho. Passeio Marítimo de Algés

O palco do NOS Alive é montado em junho, recebe Motley Crue e Def Leppard a 23 de junho, acolhe o festival em julho e só é desmanchado quando Harry Styles se despedir dos portugueses com arrepios, lágrimas e desmaios na plateia. Um ano depois de ter esgotado a Altice Arena, este regresso é para todos os que deliraram e outros tantos, ou mais, que não conseguiram à primeira tentativa.

 

  1. Kalorama. 31 de agosto a 2 de setembro. Parque da Bela Vista

O Kalorama chegou, viu e ficou. Ainda a edição inaugural não tinha acontecido e já se suspeitava que não ficasse por aí. Assim foi. Arcade Fire, Florence + The Machine, Foals ou Metronomy podem não ilustrar novidade, mas garantem desejo de reencontro. A equipa portuguesa formada por Capitão Fausto, Dino D’Santiago e Rita Vian também se candidata à titularidade.

 

  1. Madonna. 6 e 7 de novembro. Altice Arena

Sem surpresa, os bilhetes para a primeira noite Madonna na Altice Arena esgotaram num fim de semana. Segunda noite confirmada? Estava-se mesmo a ver. O que não deixa de ser impressionante quando se trata dos ingressos mais caros de sempre, ou não tanto já que se trata de Madonna e da comemoração dos 40 anos de carreira. Certo que será não apenas um concerto, ou um espectáculo, mas um acontecimento nacional. Madonna de volta à cidade onde durante alguns anos contemplou o Tejo pela manhã.

 

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